"Eu quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero conhecer os pensamentos Dele, o resto são detalhes."

quarta-feira, 30 de março de 2011

Miséria


Anjos das Ruas
Para muitos um território de sonhos, para outros um pesadelo infindável.

Um lugar de ostentação, luxo e glamour ou apenas um lugar de miséria cedendo espaço a nada mais do que a miséria?
Aos olhos de alguns, muitas cores e formas; aos olhos de tristes almas, apenas uma cidade cinzenta e sem forma. Muito mais do que arranha-céus, existe o fundo inalcançável de um abismo.
O dia-a-dia mecânico das pessoas as tornam tão indiferentes às outras. Enquanto ao toque de um botão os elevadores sobem aos mais altos prédios, parece que outras pessoas, sem escolha alguma de subir ou descer, encontram o abismo. E quão baixo pode descer o homem.
Protegidos do mundo e de suas exigências muitos encontram o repouso, uma pausa na realidade, simplesmente encostando suas cabeças em um travesseiro. Mas a realidade é lenta e dura para aqueles que dormem ao relento de um tensa cidade. Repouso? Como repousar o corpo e o espírito ao relento de um mundo sem tréguas? Corpo e alma gritam de fome sem o alimento de cada dia. Sem o pão que sustenta o corpo, sem a esperança que sustenta a alma.
Pequeninas mãos se sujam com a terra, com as inocentes brincadeiras de crianças. Enquanto algumas mãozinhas tornam-se sujas e calejadas pelos lixos revirados em busca de algum resto que nem sequer podemos chamar de alimento.
Ah, as brincadeiras de crianças! Brincar, correr, sorrir. Ter brinquedo e não ser o brinquedo. Quantas crianças tornam-se brinquedos nas mãos de seres humanos tão hostis, "vendendo seus corpos por poucos trocados".
Feliz a criança que pode gozar de um lar, de um abraço e da proteção de alguém. Mas cruel é a realidade de uma criança que perde ou nem sequer chegou a ter um dia, a proteção amorosa de alguém. Crueldade é encontrar na solidão o seu próprio lar.
Queria eu encontrar nas cores da cidade motivos para escrever uma poesia, mas não quero eu na cinza e no rubro dessas sofridas crianças emocionar ninguém com o meu texto. A miséria já é uma máquina de sensacionalismo e lucro para muitos, e eu não quero de forma alguma me tornar um destes.
Não há poesia na miséria. Talvez por isso eu não encontre uma forma bonita de encerrar este texto. Mas faço minhas as palavras de Che Guevara, e espero apenas que "Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário".
A poesia está no coração daquele que sabe semear o alimento não só do corpo, mas também da alma nos áridos e miseráveis solos dos corações.
Chega disso tudo. Mais vida as crianças que merecem um pouco de vida!

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